Itapoá foi um dos municípios catarinenses onde o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo cumpriu mandados da Operação Duas Caras, deflagrada nesta quinta-feira (7). A ação investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Organização Social (OS) Mahatma Gandhi, que atualmente responde pela gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) de Itapoá.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a organização teria movimentado de forma irregular mais de R$ 1,6 bilhão em recursos públicos destinados à saúde em diversos estados, inclusive Santa Catarina. Os mandados foram cumpridos também em cidades como Mafra, Palhoça e São José, além de localidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
A operação teve caráter nacional e mobilizou instituições como a Receita Federal, Polícia Militar, Secretarias de Fazenda e Ministérios Públicos estaduais, além da Polícia Federal, que conduz uma investigação paralela sobre o mesmo grupo criminoso em Bebedouro (SP).
Em nota, a Prefeitura de Itapoá informou que acompanhou a ação realizada na UPA local e que foi comunicada pela autoridade policial de que a diligência se referia exclusivamente à organização social, sem qualquer envolvimento do poder público municipal. A Justiça determinou a intervenção imediata na entidade, nomeando um interventor judicial para assumir a administração das unidades geridas pela OS.
A gestão municipal também destacou que, desde março de 2025, já havia iniciado um processo de chamamento público (Edital nº 02/SMS/2025) para substituir a entidade responsável pela UPA. A Mahatma Gandhi não venceu o certame e ingressou com ação judicial que suspendeu temporariamente a troca de gestão. O município recorreu e aguarda decisão judicial para dar prosseguimento à substituição.
A Operação Duas Caras recebeu esse nome em alusão à duplicidade de conduta dos envolvidos, que utilizavam o discurso de serviço social para beneficiar interesses próprios e de empresas ligadas ao grupo, mediante contratos superfaturados e emissão de notas fiscais frias.
A prefeitura reafirmou seu compromisso com a legalidade e a qualidade dos serviços públicos prestados, destacando que está atenta ao andamento das decisões judiciais para garantir a continuidade e a transparência na gestão da saúde no município.